A caminho da erradicação das arboviroses do mosquito Aedes aegypti

 

Engenheiro agrônomo Luciano Moreira introduziu no país resultados de sua pesquisa de pós-doutorado na Austrália: controle das arboviroses causadas pelo Aedes aegypt poderá romper seus ciclos definitivamente nos próximos anos
Engenheiro agrônomo Luciano Moreira introduziu no país resultados de sua pesquisa de pós-doutorado na Austrália: controle das arboviroses causadas pelo Aedes aegypti poderá romper seus ciclos definitivamente nos próximos anos      Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil e Fiocruz

 

Brasília, 11 de junho de 2026.

Se pudéssemos sintetizar a trajetória de um pesquisador como Luciano Andrade Moreira, poderíamos dividir as seis décadas que ele irá completar em dezembro próximo em três destes períodos: aos 20, quando cursava Agronomia na Universidade Federal de Viçosa-MG e conheceu a engenheira florestal Eliane Moreira, sua esposa desde aquela época; aos 40, quando aprofundava seus estudos (hoje com dois Pós-Docs e um PHD), e aos 59, quando ele foi anunciado pela Revista Nature como uma das 10 pessoas que moldaram a ciência em 2025. Verdadeiro Oscar para qualquer pesquisador do seu nível, em se tratando da principal publicação científica do mundo.

A entomologia, desenvolvida ao longo de alguns anos no laboratório da UFV, sedimentou sua vocação para a Ciência Aplicada, motivação que o fez dar continuidade à sua formação. E é justamente em torno de um inseto, o (lamentavelmente) famoso Aedes aegypti – vetor da dengue, Chikungunya e da Zika, responsáveis por milhares de mortes em todo o mundo – que Luciano Moreira vem construindo a etapa mais profícua desta trajetória. 

Em síntese, representada por estudos que promovem a reprodução e a propagação em massa de mosquitos acrescidos de uma bactéria presente em mais da metade dos insetos na natureza, a Wolbachia que, ao ser inoculada, impede o desenvolvimento dos vírus dessas doenças tropicais (arboviroses). Daí, é só deixar a natureza fazer sua parte. Se a fêmea do mosquito tiver Wolbachia e o macho não, seus ovos conterão a bactéria, enquanto, se o macho tiver a Wolbachia, e a fêmea não, os ovos produzidos não geram filhotes. A bactéria não é transmitida para humanos, reduzindo, ano a ano, os casos das doenças naqueles ecossistemas específicos já protegidos.

São duas frentes de atuação no país, a primeira em Belo Horizonte, onde está sendo concluído o convênio entre a Fiocruz e o World Mosquito Program (WMP), mantido em 14 países. A parceria está em fase de encerramento, mas ainda estará sendo implantada em municípios de São Paulo (Presidente Prudente), Minas Gerais (Uberlândia) e Rio Grande do Norte (Natal). Ele já protege as cidades de Niterói (RJ), Foz do Iguaçu (PR), Londrina (PR) e parte de Joinville (SC), além de parte das capitais mineira e fluminense. “E também envolve um trabalho lá no Vale do Paraopeba, onde teve o acidente da Vale, em Brumadinho (MG). Quem está capitaneando o programa lá é a Eliane, minha esposa”.
 

Fábrica da Worbito em Curitiba: três mil metros quadrados de investimentos em saúde pública em iniciativa liderada pela Fiocruz
Maior fábrica  do mundo de mosquitos com Wolbachia (3, 5 mil metros quadrados), fruto de uma parceria entre o World Mosquito Programa e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) Fiocruz  Foto: Fábio Muniz/Divulgação

 

O segundo “braço” fica no Paraná, onde, desde o ano passado, funciona a “maior biofábrica de mosquitos do mundo”, com 3,5 mil metros quadrados. Identificada pelo nome do programa, Wolbito, ela já atendeu a três municípios do Sul (Balneário Camboriú, Blumenau e o segundo trecho de Joinville, todos em Santa Catarina) e três do Centro-Oeste (Brasília, Val Paraíso e Luziânia, ambos em Goiás). 
 
A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP, vinculado à Fiocruz) e o WMP. “Ela atende ao Ministério da Saúde. Então, ela produz os ovos, que são enviados em forma de cápsulas para os municípios. Toda a parte de campo é feita pelos agentes de saúde”. 

Pesquisador da Fiocruz desde 2002, Luciano Moreira mantém a esperança na erradicação das três doenças por meio de ações desenvolvidas em uma colaboração com o ministério da Saúde desde 2014, batizada em 2019 de Wolbitos (em referência ao vetor e à bactéria benéfica que ele abriga).

A nova parceria entre a Fiocruz  e World Mosquito Program tem a capacidade de proteger 14 milhões de habitantes por ano nos municípios com os piores índices de transmissão de dengue. “Temos capacidade para produzir 100 milhões de ovos por semana. Se dobrássemos essa frequência, certamente seria possível erradicar essas doenças no país nos próximos 10 anos”, considera, não desmerecendo nem a vacina contra a dengue, nem as profilaxias ainda necessárias. E apresentando dados como a redução de 89% dos casos em Niterói e de 63%, em Campo Grande. 

Se o Oscar não veio para o ator Wagner Moura no filme “O Agente Secreto”, ele pôde compartilhar um pouco da esperança que se multiplicará pelo país nos próximos anos, ao conhecer Luciano durante a homenagem das 100 pessoas mais importantes segundo outra revista bastante respeitada, a Time. Além deles, apenas outra representação brasileira, a engenheira agrônoma, Mariangela Hungria – reconhecida por seus trabalhos de pesquisa genética com bactérias que reduzem o uso de fertilizantes em listas e comendas igualmente expressivas para a ciência brasileira, como o World Food Prize (o Nobel da Agricultura), no ano passado. 

 

Apesar da confiança na conduta, medidas profiláticas ainda são necessárias para conter o avanço das doenças
Apesar da confiança na conduta, medidas profiláticas ainda são necessárias para conter o avanço das doenças Foto: Peter Ilicciev/Divulgação



Na entrevista a seguir, o pesquisador fala dessa trajetória com mais detalhes, descreve alguns aspectos da construção da sua pesquisa (o Método Wolbachia), lamenta a crise para a permanência de pesquisadores no país, ressalta a importância da mobilização das populações alcançadas e faz considerações àqueles que não acreditam na ciência. 
 

Confea - Eu gostaria que você lembrasse um pouco de Viçosa, falasse como você se lembra daqueles anos de estudo, quando você, na certa, nunca imaginou chegar em uma situação dessas. Como você vê hoje aquele estudante de Viçosa que conheceu a Eliane, sua esposa, há 40 anos?


Eng. agr. Luciano Moreira - Eu passei 11 anos em Viçosa. Eu sou de São Paulo e tinha vontade de sair de São Paulo, sempre gostei de natureza e me encontrei na engenharia agronômica. Tem até aquela coisa de os engenheiros não considerarem agrônomos como engenheiros, mas eu considero sim porque a gente faz todos os cálculos da vida, todas as coisas, todos os cálculos que qualquer engenheiro faz, físicas e químicas.  A formação (inicial) acho que é única, mais no final do curso que a gente tem a diferenciação. Mas uma coisa boa de Viçosa foi que ela possibilitou muitos laboratórios, e eu me identifiquei na entomologia e comecei a trabalhar com insetos que não eram vetores de doenças, mais na área de agricultura. Primeiramente, na parte de ecologia e depois na parte de controle biológico, coisa que eu sempre busquei, eu sempre gostei de uma coisa aplicada, trazer soluções para a sociedade. Eu trabalhava com percevejos predadores de lagartas. Eu cheguei a fazer um trabalho com pragas de florestas de eucaliptos. E conheci minha esposa no segundo ano da minha graduação, ela estava iniciando, ela é engenheira florestal, e depois fiz pós-graduação, mestrado, doutorado, parte em Viçosa, já com o tomateiro, mais a parte molecular, procurando genes de resistência para controle de pragas de tomateiro. E aí eu consegui uma bolsa para ir para a Holanda, a gente ficou um ano e meio lá e nossa filha nasceu lá, em 98, ano em que a gente estava voltando para o Brasil com uma crise enorme de bolsas e eu tive a oportunidade de ir para os Estados Unidos para fazer o pós-doutorado. E aí a gente não pensou duas vezes. Nossa filha com 15 meses e a gente ficou lá quatro anos e meio. Voltando, Viçosa é uma cidade incrível e muito pequena, em que os alunos ficam muito juntos o tempo todo. Então, fiz muitos amigos, e a vida acadêmica na universidade é muito boa, tem muitas oportunidades ali, em muitas áreas. 

 

Antes de sua "fabricação", mosquitos receberam a bactéria Wolbachia que impede o ciclo natural de desenvolvimento dos vírus
Antes de sua "fabricação", mosquitos receberam a bactéria Wolbachia que impede o ciclo natural de desenvolvimento dos vírus Foto: Ministério da Saúde/Divulgação



Confea - Você diria que a entomologia foi o principal elemento que permaneceu até seu estudo com os mosquitos?

Eng. agr. Luciano Moreira - Eu acho que sim. Lógico, não foi planejado, todo esse trajeto foi uma coisa que foi me levando. Eu não trabalhava com os insetos, era mais na área de agricultura. E quando eu fui para os Estados Unidos, tive o meu primeiro contato com o mosquito transmissor de malária. Eu trabalhei com mosquitos transgênicos que são outra espécie de mosquito, mas isso foi me levando para essa área. Aí, eu fiz concurso em 2002 para pesquisador da Fiocruz, e nós voltamos para o Brasil. E aí, eu comecei a trabalhar com Aedes aegypti em 2008, quando eu fui fazer um segundo pós-doc, na Austrália. 

Confea - Como foi esse momento com a sua chegada ao projeto do professor Scott O'Neill?


Eng. agr. Luciano Moreira - O Scott O’Neill, que é quem começou toda essa ideia, já trabalhava com a bactéria. Aí ele passou quatro anos com vários pós-docs e alunos dele para conseguir fazer a transferência da bactéria da mosca da fruta para os ovos do Aedes aegypti. Quando eu cheguei para o pós-doc, eles tinham acabado de fazer uma linhagem de Aedes aegypti com a bactéria. E a pergunta era: o que vai acontecer com a dengue? E nós começamos a fazer os trabalhos com dengue. E aí foi a grande descoberta de que a Wolbachia estava bloqueando na realidade a replicação do vírus dentro do mosquito. Essa foi a minha contribuição lá.

 

Já desenvolvido em algumas cidades brasileiras, programa tende a se multiplicar ainda mais, mitigando graves problemas de saúde pública
Já desenvolvido em algumas cidades brasileiras, programa tende a se multiplicar ainda mais, mitigando graves problemas de saúde pública  Foto: Divulgação

 

Confea - Como as populações são preparadas para receber os mosquitos? Quantas pessoas já estão protegidas no país?

Eng. agr. Luciano Moreira - Antes de soltar os mosquitos, é feito todo um engajamento comunitário, conversando com os setores de saúde e educação, lideranças sociais, agentes de saúde. E explicamos que, por um tempo, vamos soltar mosquito, mas depois isso se torna sustentável, não precisa mais continuar a ser feito. Eu tenho relatos do início lá de Niterói, quando a gente começou, o pessoal era bastante cético. “Como vocês vão soltar mosquitos para controlar a dengue?”. Hoje, eles veem os resultados e acham excelente. Pessoas que tinham resistência, hoje são super parceiros. Tem vários depoimentos sobre isso, é superlegal. São mais de cinco milhões de pessoas protegidas, em 16 municípios (com mais de 100 mil habitantes), no Brasil. No início, era bastante lento. Em Niterói, por exemplo, demorou oito anos para cobrir várias etapas de expansão. Começou em 2015 e só foi finalizar em 2023. Mas, hoje, a gente está fazendo o processo muito mais rápido, teve uma melhoria do processo, a gente teve uma curva de aprendizado grande durante esses anos.  

Confea - Qual a sua estimativa para o Brasil todo ser contemplado?

Eng. agr. Luciano Moreira - Hoje, a empresa Wolbito do Brasil tem uma capacidade de produzir 100 milhões de ovos por semana e com essa quantidade a gente pode proteger 14 milhões de brasileiros a cada ano com essa fábrica em Curitiba. Então, em 10 anos, são 140 milhões de pessoas. Então, grande parte da população do país poderia ser contemplada. 

Confea - Mas essa média não está acontecendo ainda.

Eng. agr. Luciano Moreira - Por enquanto, não, a gente está aguardando os contratos que estão em andamento com o ministério da Saúde, mas tem uma possiblidade de que,  nesse ano, pelo menos 16 novos municípios iniciem a aplicação do método e algumas dezenas para o próximo ano. Então, é uma questão de tempo para que isso aconteça. 

Confea - Não se pode atribuir ao programa essa queda do número de casos que estamos verificando esse ano...

Eng. agr. Luciano Moreira - Olha, onde a gente coloca é. Mas é importante dizer que dengue é sazonal. Ou seja, mais ou menos a cada quatro anos, você tem os picos das epidemias acontecendo. E nos lugares em que a gente aplicou, comparando com 10 anos atrás, você vê sim essa redução. Então, teve Niterói, Campo Grande com a redução de 63% de casos de dengue. Não é imediato. Os políticos querem resolver o problema para a próxima estação chuvosa, e nós sempre deixamos muito claro, não é no mesmo ano. Não é um produto químico que a gente vai pulverizar e vai resolver. Os resultados positivos começam a aparecer a partir do segundo ano. Em 2024, a gente teve uma epidemia que nunca teve no Brasil e isso, então, é como se você estivesse vacinando grande parte da população para que a população fique imune àquele sorotipo de dengue. Quando aparecer outro, aí pode ter novos casos. Por isso, você não consegue atribuir à Wolbachia, nesse caso, ou à vacina.

 

As temidas larvas do mosquito Aedes aegypt: ruptura no desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya
Em breve, as temidas larvas do mosquito Aedes aegypti serão aliadas para o combate aos vírus da dengue, Zika ou chikungunya Foto: Brenda Nascimento/Divulgação



Confea - Há três ou quatro anos, eu estava numa fila de banco e uma senhora se disse muito preocupada e me perguntou se eu havia visto que estavam fabricando e soltando mosquitos por aí. O que você diria para essa senhora?

Eng. agr. Luciano Moreira - Engraçado que a gente começou um trabalho em Brasília em agosto do ano passado e terminou agora no início desse ano, atingindo uma população de 400 mil a 500 mil pessoas que foram protegidas com os mosquitos. Há quatro anos, não tinha sido liberado isso aí ainda, mas ela estava preocupada.  Eu diria para ela que a dengue causa muitas mortes e muitas morbidades, a Zika e a Chikungunya também. O Método Wolbachia é um método inovador e natural, não traz nenhum malefício, nem para as pessoas, nem para os animais, nem pro meio ambiente. É uma coisa natural, e o mais importante, é autossustentável. A partir do momento em que os mosquitos se estabelecem numa localidade, você não precisa mais voltar, então, a população fica protegida. É como você vacinasse aqueles mosquitos e eles, então, não vão transmitir mais aquelas doenças, você traz um benefício pra população. Mas a gente sempre deixa muito claro que o Método Wolbachia não é uma bala de prata. Não é a solução de todos os problemas, então, continuam outras ações, as pessoas têm que fazer esse dever de casa, mas é um método muito promissor, que já mostrou muitos resultados promissores, tanto fora do Brasil, como aqui no Brasil. Em Niterói, a gente teve uma redução de 89% dos casos de dengue, depois que o programa foi aplicado. Portanto, são muitas vantagens. Então, eu diria para a senhora ficar tranquila porque não causa nenhum problema para ela e, pelo contrário, vai protegê-la dessas doenças que o mosquito poderia transmitir.

Confea - Qual seria a importância de a população também saber que a Agronomia, mesmo que não isoladamente, pode também contribuir para uma pesquisa relacionada à saúde pública?

Eng. agr. Luciano Moreira - Nesse caso, no meu caso, foi por causa da entomologia que se fez esse link entre a entomologia agrícola e a entomologia médica. Então, é um passo simples de ser dado, porque os insetos são únicos e você tem as possibilidades de aplicar coisas que podem ser aplicadas na Agronomia para trazer para a área médica. Hoje, a entomologia agrícola está muito mais desenvolvida. Agora, eu te diria que, nos últimos cinco anos, a entomologia médica vem se desenvolvendo, mas eu acho que precisa de bem mais, ela ficou muito tempo parada, sem investimento e sem pesquisas relacionadas, mas tem muita coisa ainda a aprender. Então, com certeza, tem esse link, esse elo entre a Agronomia e a entomologia, ligando os dois lados da coisa.

 

O pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira ao lado do ator Wagner Moura na entrega do reconhecimento da revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do ano
O pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira ao lado do ator Wagner Moura na entrega do reconhecimento da revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do ano



Confea - Como é para você receber essas menções, esses reconhecimentos da revista Nature como um dos 10 principais cientistas do ano passado e da Time, entre os 100 nomes do ano?

Eng. agr. Luciano Moreira - Foi uma grande e agradável surpresa. Foi excelente, mas eu acho que o que isso mostra é toda a contribuição em equipe que foi feita desde o início, em 2008, até antes, quando começou o trabalho em torno dessa ideia. E mostrar que às vezes uma coisa que não se espera muito pode se tornar algo grandioso. Então, é um trabalho em equipe, com muita gente envolvida com seriedade, trazendo evidências científicas. E isso é uma coisa que eu sempre falo: demorou muito. As pessoas perguntam por que foi tão lento, por que já não está no Brasil todo? Porque passou mais de 10 anos junto à Fiocruz para mostrar as evidências científicas, que realmente funciona e, desde 2024, o método faz parte de uma política pública. Isso é um reconhecimento de um trabalho conjunto sério e ligado a evidências científicas. E a Time eu recebi com a Mariângela (Hungria), uma agrônoma, a mesma coisa. Eu gostei mito de conhece-la, junto com o Wagner Moura em Nova York.

Confea - Você falou que, mantendo essa média, metade da população brasileira poderá estar protegida em 10 anos.  Mas essa média pode ser superada.

Eng. agr. Luciano Moreira - É o que esperamos. Essa média pode ser superada. A gente passou 10 anos fazendo uma coisa bem artesanal, lenta. E agora com melhoria de processos, a gente está conseguindo fazer a expansão de uma forma mais acelerada. Eu acredito que nos próximos cinco anos a gente possa trazer inovação, trazendo também engenharia para isso. A gente está trabalhando com a possibilidade de trazer coisas mais inovadoras na forma de soltar mosquitos, de forma automatizada, com novos equipamentos para ajudar a melhoria dos processos e conseguir proteger mais pessoas em um curto espaço de tempo. E a engenharia está aí, né?

 

Soltura de mosquitos modificados em Joinvile (SC): 10 anos depois, Niterói teve redução de 89% dos casos de dengue
Soltura de mosquitos modificados em Joinvile (SC): à espera de novas tecnologias para esse momento crucial do processo. Mesmo assim,   Niterói teve redução de 89% dos casos de dengue, 10 anos depois do início das liberações  Foto: Ministério da Saúde/Divulgação
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Rio Largo (AL)

Porto Velho (RO)

Palmas (TO)



Confea -  Quais foram as principais mudanças nesse período?

Eng. agr. Luciano Moreira - Hoje, a maior mudança que a gente teve foi na produção. Antigamente, o processo era artesanal, manual, que demandava muita gente e muito tempo. E hoje na produção a gente tem equipamentos que fazem muitas coisas, mas a gente ainda precisa dar um salto no campo, como a gente solta os mosquitos, eu acho que essa vai ser uma inovação que a gente possa trazer.

Confea - De qualquer forma, já existe uma interação científica, uma interdisciplinaridade muito grande, inclusive entre as engenharias. Qual a importância dessa visão para o sucesso do programa?

Eng. agr. Luciano Moreira - Eu sempre pensei isso, eu acho que a gente pensar linearmente não é o certo. A gente precisa trazer olhares diversos, externos porque pessoas que pensam diferente têm formações diferentes e a multidisciplinaridade pode trazer soluções que a gente poderia levar anos pra conseguir. 

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea